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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

EXPOAER 2014: Os anfitriões - Esquadrão Pampa






O Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1º/14º GAv), também conhecido como Esquadrão Pampa, é uma das três Unidades Aéreas operadoras dos caças supersônicos Northrop F-5EM/FM Tiger II na Força Aérea Brasileira. As outras duas estão localizadas nas Bases Aéreas de Santa Cruz/RJ (1º Grupo de Aviação de Caça) e Manaus/AM (1º/4º GAv) e fazem parte da primeira linha da Aviação de Caça da FAB, responsável pela manutenção da soberania do Espaço Aéreo brasileiro.

Um pouco de história


A história do Esquadrão Pampa confunde-se com a da própria Base Aérea de Canoas e tem sua origem no Terceiro Regimento de Aviação (3º RAV), pertencente à Aviação Militar do Exército Brasileiro, criado no início da década de 30 na cidade de Santa Maria/RS e posteriormente transferido para Canoas, em 5 de agosto de 1937. Cerca de quatro anos depois, mais precisamente no dia 20 de janeiro de 1941, surge o Ministério da Aeronáutica e com ele, as Forças Aéreas Nacionais (denominação alterada para Força Aérea Brasileira em 22 de maio de 1941), incorporando todas as aeronaves, equipamentos e pessoal oriundos das Aviações Militar (Exército Brasileiro) e Naval (Marinha do Brasil).



Agora ocupando as instalações onde hoje localiza-se a Base Aérea de Canoas, em 17 de agosto de 1944, o 3º RAV passou a ser composto por duas Unidades Aéreas, o Primeiro Grupo de Bombardeio Leve (1º GpBL), utilizando o Douglas A-20K Havok e o Terceiro Grupo de Caça (3º GpCa), equipado com os Curtiss P-40 Warhawk, sendo este o primeiro esquadrão de caça sediado no sul do Brasil. Após o término da Segunda Guerra Mundial toda a estrutura operacional e administrativa da Força Aérea Brasileira passou por uma ampla reorganização, assim, em 24 de março de 1947, o 3º Grupo de Caça passou a denominar-se Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1º/14º GAv), designação que se mantém até os dias atuais.



Hangar do Esquadrão Pampa e no detalhe, o emblema da Unidade.


A operação dos caças P-40 Warhawk durou até o ano de 1954, quando o Esquadrão Pampa entrou na era do jato, passando a utilizar o caça de fabricação britânica Gloster Meteor, nas versões monoplace (F-8) e biplace (TF-7). Após cerca de doze anos de operação com o Meteor, o 1º/14º GAv recebeu um novo vetor, o jato Lockheed TF-33, utilizando-o por nove anos. Em 1974, com a entrada em serviço do Embraer AT-26 Xavante, primeiro avião a jato montado no Brasil, sob licença da italiana Aermacchi, sua fabricante, toda a frota de TF-33 foi concentrada em Canoas, até sua completa desativação um ano mais tarde.



Linha de voo do 1º/14º GAv sob os hangateres.


Finalmente, em 26 de novembro de 1976, o Esquadrão Pampa entrou na era supersônica, quando passou a operar o Northrop F-5E Tiger II, recebendo 12 aeronaves do tipo. A introdução do modelo foi um marco histórico para a Unidade e para a própria Base Aérea de Canoas, que precisou inclusive de algumas reformas para se adequar à operação do jato. O novo avião e as suas características de voo e desempenho, inclusive com a possibilidade de efetuar reabastecimento em voo, elevaram drasticamente a exigência e o preparo dos integrantes do esquadrão e a sua operacionalidade, com a introdução de uma doutrina de emprego voltada para o cumprimento de missões de ataque ao solo.


Northrop F-5EM Tiger II



Northrop F-5FM Tiger II


A partir de 1988, o Esquadrão passou a operar um lote de 26 F-5 (sendo vinte e dois do modelo “E” e quatro do modelo “F” de dois lugares), todos ex-USAF (United States Air Force ou Força Aérea dos Estados Unidos) adquiridos nos Estados Unidos, onde eram utilizados como aeronaves de treinamento de combate aéreo. Com a chegada destas aeronaves, os doze F-5 originalmente recebidos em 1976 foram repassados ao 1º Grupo de Aviação de Caça. A introdução dos “novos” aviões também implicou na alteração da missão primária da Unidade Aérea, voltando seu foco agora para as missões de Interceptação e Defesa Aérea, ou seja, o Combate Aéreo agora passava a fazer parte do DNA do Esquadrão Pampa.


Mísseis ar-ar Rafael Python 4 e Rafael Derby (sob a asa). Duas armas utilizadas nas missões de Defesa Aérea.


Em 21 de setembro de 2005, o 1º/14º GAv recebeu seu primeiro F-5 modernizado e continua até os dias atuais operando-os de forma eficiente e com altíssimo grau de operacionalidade no cumprimento de suas missões. A Unidade ainda deve operar com os F-5 por alguns anos, porém no futuro próximo, deverá ser um dos Esquadrões escolhidos para receber os novos caças Saab Gripen, de fabricação sueca e vencedor do Programa FX-2 para ser o avião de caça padrão da Força Aérea Brasileira. Perpetua-se assim em Canoas, a tradição da Caça, que através da dedicação de seus integrantes ao longo de toda a história do Esquadrão Pampa, sempre empenhados na defesa e soberania do Espaço Aérea Brasileiro, o tornaram um dos mais importantes e aguerridos Esquadrões de Caça da Força Aérea Brasileira.

O vetor


Nascido das experiências de combate de pilotos estadunidenses contra caças de fabricação soviética na Guerra da Coréia, o F-5 tem sua gênese num projeto desenvolvido pela equipe da Northrop, chamado de N-156. Dentre as inovações que o modelo apresentava, estavam a aplicação do conceito de regra de área, melhorando a sua performance em velocidades supersônicas e a utilização de asas bastante finas, com a finalidade de reduzir o arrasto aerodinâmico. Dentre as versões propostas destacaram-se o N-156T, de treinamento, adquirido imediatamente pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e denominado de T-38 Talon e o N-156F, que voou pela primeira vez em 30 de julho de 1959 e foi escolhido pelo Departamento de Defesa dos E.U.A. como o avião de caça padrão a ser oferecido a países aliados e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), recebendo o nome de F-5A/B Freedom Fighter (Caça da Liberdade).


Nesta foto superior, é possível observar com clareza o acinturamento da fuselagem na altura das asas, uma das propostas do conceito de regra de área para melhorar o voo supersônico.


Em 1965, durante a Guerra do Vietnã, um lote de aviões F-5A foi avaliado em combate sob o programa chamado de “Skoshi Tiger”. Embora os resultados obtidos tenham demonstrado limitações quanto ao alcance e a sua carga de armamentos, a aeronave agradou aos pilotos que a voaram, motivando a Northrop a desenvolver uma versão melhorada, denominada de F-5-21. Este modelo venceu uma concorrência da USAF para o fornecimento de um novo caça para as nações aliadas, tornando-se o F-5E Tiger II, que fez seu voo inaugural em 11 de agosto de 1972. Entre as suas principais características estavam a adoção de motores mais potentes, a fuselagem redesenhada e mais alongada em relação ao F-5A, maior capacidade de combustível e de carga bélica. Já a versão biplace, que voou pela primeira vez em 1975 e designada de F-5F, ao contrário do seu antecessor F-5B, também podia ser empregada em combate, com a presença de um canhão no nariz e a possibilidade de utilização de mísseis ar-ar. Também foi desenvolvida uma versão de reconhecimento com um conjunto de câmeras instaladas no nariz do avião, denominada de RF-5E e batizada de Tigereye.


Detalhe da tubeira de um dos motores General Electric J85-21A.


O modelo tornou-se um sucesso de exportação, sendo também adquirido pela Força Aérea dos Estados Unidos como avião de treinamento de combate aéreo, uma vez que seu desempenho era muito semelhante ao do MiG-21, então o caça padrão da União Soviética e dos países do Pacto de Varsóvia. No total foram construídos 1.166 exemplares do modelo F-5E, 241 F-5F e 12 do modelo RF-5E e até os dias de hoje, diversas Forças Aéreas ao redor do mundo ainda operam o modelo.

O F-5 Tiger II no Brasil


Em 1973 a Força Aérea Brasileira selecionou o F-5 como seu avião de caça para missões de superioridade aérea e interdição substituindo os Lockheed AT-33. No total foram adquiridos 36 Northrop F-5E e seis Northrop F-5B, distribuídos entre o 1º Grupo de Aviação de Caça e seus dois Esquadrões (24 F-5E e os seis F-5B), sediado na Base Aérea de Santa Cruz/RJ e o 1º/14º GAv (12 F-5E), em Canoas/RS. Os F-5B receberam matrículas de FAB 4800 a FAB 4805 e os F-5E foram numerados de FAB 4820 a FAB 4855. Nos anos seguintes, o emprego constante gerou a perda de algumas aeronaves.



Com a modernização e a padronização da frota, os aviões dos dois primeiros lotes passaram a pertencer de forma aleatória aos esquadrões que os operam na FAB. Observe a barbatana dorsal na foto de cima (identificando-o como um avião do lote original) e a ausência dela na foto acima, indicando que esta aeronave pertence ao segundo lote de aviões,


Com a redução da frota, a FAB buscou no mercado internacional um lote adicional de aeronaves do tipo, culminando com a aquisição de 22 F-5E e quatro F-5F, todos ex-USAF, que receberam as suas matrículas de forma sequencial aos exemplares já em operação, ou seja, de FAB 4856 a FAB 4877 para os F-5E e FAB 4806 a FAB 4809 para os F-5F. Estes aviões chegaram ao Brasil no final da década de 80 e como tinham uma configuração diferente dos F-5 do lote original, foram alocados em Canoas que por sua vez, repassou seus 12 F-5E para o 1º GAvCa, em Santa Cruz/RJ. Com a retirada do serviço ativo dos F-5B em 1996, a quantidade de modelos de dois lugares na FAB ficou bastante reduzida, fato ainda mais agravado com a perda do F-5F FAB 4809 no mesmo ano. Isso motivou a busca por aeronaves do tipo no mercado internacional que, por serem raros, condiciona a sua venda à aquisição de exemplares do modelo “E”. Dessa forma, foram adquiridos em 2007, onze exemplares (8 F-5E e 3 F-5F) da Real Força Aérea da Jordânia, que atualmente estão sendo modernizados pela Embraer e serão elevados, como o restante da frota, ao padrão F-5EM/FM, devendo receber as matrículas FAB 4878 a FAB 4885, no caso dos modelos “EM” e FAB 4810 a FAB 4812, para os “FM”.



Northrop F-5F Tiger II, avião bastante valorizado pelos operadores de F-5.


Com a retirada de serviço dos Dassault Mirage 2000, em dezembro do ano passado, no momento, o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), sediado na Base Aérea de Anápolis/GO e responsável pela Defesa Aérea do Planalto Central e da Capital Federal, também está operando temporariamente O F-5, com aviões oriundos dos três esquadrões operacionais, na forma de rodízio, até a entrada em serviço dos Saab Gripen.

Um tigre com dentes e garras afiadas


Formando a espinha dorsal da Aviação de Caça da FAB e ciente da importância do F-5 na defesa e na manutenção da soberania do nosso Espaço Aéreo, a Força Aérea Brasileira decidiu modernizá-lo, dotando-o com um radar mais moderno e equipamentos eletrônicos e aviônicos mais próximos do Estado da Arte, de forma a garantir a sua sobrevivência na  moderna arena de combate pela supremacia aérea, focada na Guerra Centrada em Redes (com a utilização de sistemas de comunicação criptografada e data link) e em combates aéreos além do alcance visual (BVR).


A protuberância que aparece na foto é uma das antenas do sistema RWR, incorporado com a modernização e que avisa ao piloto quando o avião está sendo rastreado por um radar hostil.


Denominado de Programa F-5BR, o projeto teve início em 2001 sob a responsabilidade da Embraer em parceria com a empresa israelense Elbit Systems. O primeiro avião modernizado foi oficialmente apresentado em setembro de 2005 e coincidentemente foi o FAB 4856, o F-5E mais antigo no mundo ainda em serviço operacional, sendo este o F-5E que realizou o primeiro voo do modelo, em 11 de agosto de 1972.  Atualmente todas as aeronaves remanescentes do primeiro e do segundo lote já encontram-se elevados ao padrão F-5EM/FM, restando os aviões adquiridos posteriormente da Jordânia.


A sonda de reabastecimento em voo foi instalada em toda a frota de F-5 após a modernização.


A modernização elevou o F-5 para um caça de 4ª geração, transformando-o num avião completamente novo, praticamente só permanecendo a estrutura externa como lembrança do avião original. Entre as principais mudanças em relação àquela aeronave, estão a adoção do radar multimodo de fabricação italiana FIAR Grifo-F com Pulso Doppler e capacidade de busca acima e abaixo do avião (Look-Up/Look-Down), possibilitando a utilização de mísseis ar-ar do tipo BVR e bombas inteligentes guiadas por GPS ou laser, dois computadores de missão que recebem e analisam os dados de todos os sensores da aeronave, painel de instrumentos digital com telas multifunção de cristal líquido (LCD) e compatível com a utilização de óculos de visão noturna (NVG), sistema HOTAS, que reúne os principais comandos do avião no manche e na manete de potência, um HUD (Head-Up Dispaly) que permite ao piloto controlar os parâmetros de voo e de combate sem desviar os olhos do ambiente externo, possibilidade de utilização de capacetes com sistema de mira integrado (HMD), sistema de alerta radar (RWR), que avisa ao piloto quando o seu avião está sendo rastreado por um radar hostil, sistema de Navegação Inercial/GPS, um avançado computador de voo, entre outros equipamentos.


A operacionalidade do "Catorze" é garantida pela dedicação da equipe de apoio. Na foto, um mecânico do Esquadrão Pampa recoloca o paraquedas de frenagem.


A eficácia do avião já foi testada e aprovada em Exercícios Aéreos Multinacionais, como por exemplo, nas últimas edições do Exercício CRUZEX, onde os aviões modernizados alcançaram êxito em muitas missões que tomaram parte, mesmo enfrentando oponentes mais modernos. Também digna de nota foi a participação do Esquadrão Pampa no Exercício Red Flag, nos Estados Unidos, um dos treinamentos de combate aéreo mais realistas e importantes do mundo, cumprindo as suas missões de forma exemplar. Parte do sucesso nestes exercícios pode ser creditada ao avião, entretanto, o treinamento, as táticas, o trabalho da equipe de terra e a habilidade inerente ao piloto militar brasileiro também contam valiosos pontos.

Os F-5 na EXPOAER 2014


Ao contrário da edição do ano passado da EXPOAER, quando a maioria dos F-5 estavam na Base Aérea de Santa Maria (BASM) participando de um Exercício Operacional, este ano, diversos aviões estavam na linha de voo ou em exposição ao público. Com a melhora das condições meteorológicas no período da tarde, houve duas saídas com três aviões cada, fazendo a alegria dos presentes, sobretudo durante as passagens baixas.  Além deles, havia dois F-5F também em exposição estática, um sob os hangaretes e o outro, atrás do Hangar do 5º ETA.









Como tradicionalmente faz todos os anos, o Esquadrão Pampa expôs um de seus aviões com vários armamentos e equipamentos, chamando a atenção do público durante todo o dia. Entre os armamentos mostrados neste ano, estavam versões inertes (sem carga explosiva) dos mísseis ar-ar de fabricação israelense Rafael Python 4 (nas pontas das asas) e Rafael Derby (sob as asas). Do lado esquerdo, um Lançador múltiplo SUU-20 com capacidade para transportar quatro foguetes não guiados SBAT 70 de 70 mm e seis bombas de treinamento BEX-11 de 11 kg cada (na cor azul). Do lado direito, na cor vermelha, um alvo aéreo rebocável SECAPEM, utilizado em missões de treinamento de tiro aéreo. O canhão Pontiac M39 e suas munições de 20 mm também estavam visíveis, inclusive do lado direito foram dispostos vários cartuchos de munição formando a sigla do Esquadrão de Material Bélico da Base Aérea de Canoas (EMB-CO), responsável pela guarda dos armamentos e pela montagem dos mesmos em torno da aeronave durante a EXPOAER.


















Além das imagens presentes na matéria acima, apresentamos abaixo aos nossos leitores mais algumas fotos dos F-5 feitas durante a EXPOAER. Informamos ainda que para a elaboração deste artigo utilizamos como fonte de consulta os seguintes websites:














































PORTÕES ABERTOS - BASE AÉREA DE FLORIANÓPOLIS: VENHA FAZER PARTE DESTA GRANDE FESTA


PARA MAIORES INFORMAÇÕES, VISITE O LINK ABAIXO:

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